
As razões são várias. A primeira é que o executivo não tem a maioria na Assembleia Municipal para apoiá-lo em todas as suas decisões. A segunda é que com esta implementação os cidadãos são levados a participar nos assuntos que lhe dizem directamente respeito. A terceira é que se começa um novo ciclo de governação em que o seu Presidente prometeu ouvir todos com a mesma disponibilidade. Não basta ouvir os munícipes somente em campanha eleitoral, é prioritário saber ouvi-los sempre.
O orçamento participativo é uma maneira democrática de ouvir as opiniões dos cidadãos, conhecer as suas propostas e sugestões, quais as áreas em que se deve dar maior prioridade e quais os projectos e as obras que se consideram mais importantes.
O orçamento participativo pode ter apenas um carácter meramente consultivo, sendo realizadas reuniões públicas ou inquéritos à população que apresenta sugestões e propostas para a aplicação das verbas. Depois de analisadas podem ver-se as que podem ser exequíveis ou não.
Monchique é um concelho rural em que uma grande parte do orçamento é gasto nos caminhos e estradas do seu interior, mais profundo, onde muitos dos seus cidadãos têm interesses individuais a defender. Ficava-se assim a saber quais os caminhos com prioridade e as verbas destinadas à manutenção dos mesmos, nomeadamente o seu alcatroamento e conservação.
Ficava-se também a saber onde se iria aplicar a maior fatia das verbas para a realização das grandes obras, julgadas prioritárias, de interesse geral de toda a comunidade que seriam as primeiras a ser feitas com a maior antecedência. O orçamento participativo seria, assim, uma das grandes vantagens de permitir uma maior transparência da gestão autárquica.
E por fim retirava todo e qualquer argumento à maioria representada na Assembleia Municipal, na oposição, de não aprovar os orçamentos deixando de ter motivos para o não fazer, por não concordar com eles, porque também toda a Assembleia Municipal pode e deve ser convidada a dar as suas opiniões, e sugestões participativas, se assim o julgassem conveniente. No final era cidadania que saía a ganhar com a participação de todos.









































